A operação de uma agência de talentos, inteira, com IA dentro.
Construímos a plataforma inteira: painel na web para a equipe, aplicativo para o artista, quatro frentes de backend, os motores de IA e a infraestrutura. De 2020 a hoje.
A KOZMOS conecta artistas a oportunidades no mercado audiovisual. Nós escrevemos o sistema onde isso acontece: é nele que o agente cria o casting, encontra os perfis, consulta os artistas, recebe o vídeo de teste, acompanha a aprovação e fecha o pagamento. O artista faz a parte dele pelo aplicativo que publicamos nas duas lojas. E uma assistente, a Gaia, atende no painel e no WhatsApp.
O mercado organiza elenco com composite em pasta de drive. Um PDF com três fotos escolhidas há dois anos é arquivo. Hoje a produção pede material vivo: foto atual, vídeo de apresentação, de habilidade, de atuação.
Manter isso no drive não é trabalhoso, é inviável. Cada atualização é uma conversa, um arquivo pesado por mensagem, um renomear de pasta, um link que vence. Vezes mil pessoas, de novo a cada seis meses.
A consulta era pior. Uma campanha comum fala com dezenas de artistas, e isso saía do WhatsApp pessoal do agente, um por um. A cinco minutos por pessoa, cinquenta artistas custam mais de quatro horas de alguém.
O problema da planilha não era a lentidão. Era que ela não sabia o que tinha perdido.
Quem não respondeu, quem respondeu talvez, quem mandou material e ninguém anotou: nada disso existia em lugar nenhum. O artista avisava que ia ficar fora seis meses, ou que não faz campanha de certo segmento. A informação era clara e não tinha onde ser guardada. Ia para a memória de um agente e morria lá.
Levamos quatro anos entre pôr o processo em sistema e ligar a IA. Não foi demora, foi condição.
2020o cadastro de artistas30 cadastros
2021o casting entra na plataforma65 castings
2025Gaia, busca por semelhança e cadastro aberto324 castings
2026o aplicativo do artistaiOS e Android
A busca por semelhança não podia existir em 2021, porque não havia o que vetorizar.
Quando a busca por semelhança entrou, a base já tinha dezenas de milhares de fotos e mais de dez mil vídeos, acumulados em cinco anos de cadastro. Dois terços dos artistas de hoje entraram antes de 2025.
No mesmo período o volume subiu de 65 castings em 2021 para 324 em 2025.
Entregamos um monorepo em TypeScript com painel na web para a equipe, aplicativo Flutter para o artista, quatro frentes de funções sem servidor (API, IA, mídia e tarefas assíncronas) e a infraestrutura descrita em Terraform. Tudo em uma região só, no Brasil, com atestação de origem obrigatória em cada chamada.
Não é “usamos IA”. É o caminho que o dado faz, e onde nós o interrompemos de propósito.
1 O aplicativo do artista
Publicamos o aplicativo em iOS e Android, em Flutter, com mais de trinta telas. Cadastro em sete passos, galeria de fotos e vídeos, resposta a consulta de disponibilidade, envio de material de teste, agenda, cachê teste e o histórico de trabalhos.
Saber se o trabalho saiu deixou de exigir ligar para alguém.
No mercado, descobrir o estado de um teste é mandar mensagem para o agente e esperar. No aplicativo o estado está na tela: o que foi consultado, o que foi respondido, o que está pendente, o que foi aprovado, o que já foi pago.
Cadastro em sete passos, a tela inicial com o que precisa de atenção, e a consulta de disponibilidade vista do outro lado: o artista lê as condições do trabalho, cachê e exclusividade incluídos, e responde em sete perguntas.
O envio de mídia é onde está a engenharia. O artista grava no próprio celular, em rede móvel, muitas vezes em 4K. O arquivo bruto é grande demais para a web, e o arquivo espremido custa o trabalho: teste que chega borrado perde o papel.
Por isso a compressão tem piso, e não teto. O alvo é 1080p, e fonte menor não é ampliada. Só arquivo acima de 600 MB desce, e desce até 720p, nunca abaixo. O envio é retomável, em blocos de 8 MB: se a conexão cai no meio de um vídeo de duzentos megabytes, ele volta do ponto em que parou, e a sessão sobrevive ao aplicativo ser fechado por cerca de uma semana.
A notificação chega por dois caminhos, e é de propósito. Push no aplicativo e WhatsApp pelo Twilio. Quem não vê o aplicativo vê a mensagem, e são os dois juntos que sustentam a taxa de resposta da consulta.
Entrada por biometria, segundo fator, e uma porta de consentimento que não deixa passar sem o aceite dos termos. Dado de artista é dado pessoal de gente que trabalha com a própria imagem.
2 A consulta que sai em um clique
Tiramos a consulta do WhatsApp pessoal do agente e pusemos em um disparo. Ele escolhe os artistas e envia, cada pessoa recebe um endereço próprio, por WhatsApp ou e-mail, e responde de dentro dele. A resposta entra no casting já organizada, com hora e canal.
O disparo antes de sair: o tipo de consulta, o canal de reserva para quem não responde no WhatsApp, a prévia da mensagem e quantos artistas serão notificados.
Já saíram mais de 20 mil consultas, e 65,9% delas foram respondidas. Metade das respostas chega em 42 minutos, três quartos em quatro horas. A consulta comum vai para cerca de 50 artistas, e a maior já feita foi para 581.
O número que o processo manual nunca teve é outro: mais de duas mil pessoas abriram o link e não terminaram. É uma lista nominal de quem vale uma segunda mensagem, e no WhatsApp esse grupo é invisível.
O disparo confere duplicata antes de enviar, e o canal se rebaixa sozinho: artista com histórico ruim de resposta no WhatsApp passa a receber por e-mail. São 34 tipos de mensagem em 8 contextos, cada um com modelo versionado e fila própria.
3 Gaia, que para no meio para perguntar
O briefing chega em PDF, quase sempre longo. Construímos a Gaia para ler o arquivo e devolver os 14 campos obrigatórios do casting mais a lista de perfis. O agente confere em segundos. Antes isso levava no mínimo meia hora de leitura e digitação.
Não é o tempo que ela economiza. São os 14 campos que saem sempre.
Metade deles não é dado operacional, é cláusula: exclusividade, tempo de veiculação, território, cachê. Esquecer a exclusividade não é um campo em branco, é a diferença entre o artista poder ou não fazer o comercial do concorrente no ano seguinte. E um humano lendo um PDF longo às seis da tarde não extrai igual ao mesmo humano na manhã seguinte.
A mesma extração atende os pedidos de TVT: mesmos campos, mesmo formato, e a entrega sai consistente pelos dois caminhos.
Quando falta informação, ela não deixa em branco. Interrompe a conversa, pergunta o que falta, confirma, e só então grava. A interrupção é do próprio grafo de estados, então a conversa pode parar no meio e retomar de onde parou.
A Gaia recebe um pedido solto e interrompe pedindo cliente, produtor de elenco, cachê, mídia, exclusividade e datas. Só então gera a prévia.
Ela também responde dúvida de artista, inclusive sobre a convenção coletiva do SATED, e inclusive de quem ainda não é cadastrado. Quando não sabe, escala para gente. São cerca de noventa escalações por mês, e nove delas são dúvida que ela não soube responder. Assistente que resolve tudo sozinha é melhor de vender e pior de usar, porque o preço de não escalar é responder errado com confiança.
Ela atende no painel e no WhatsApp, que é onde o artista já está, e é a mesma Gaia nos dois. O número da KOZMOS é aberto: quem quiser ver funcionando, manda mensagem.
Toda execução carrega contagem de token e custo, com teto diário. Quando o teto chega, o sistema avisa o administrador em vez de continuar gastando. IA em produção precisa de freio.
Ela não decide elenco e não fala com o cliente final. Nenhuma das duas é falha a corrigir: é onde a automação foi interrompida de propósito.
4 Procura por semelhança
Procure pessoas com sardas. Procure vídeo de gente dançando passinho.
As duas frases funcionam no motor que construímos, e são a mesma busca: uma olha dezenas de milhares de fotos, a outra mais de dez mil vídeos. O pedido chega em foto de referência ou em português, vira filtro estruturado mais consulta vetorial e corre em quatro índices. Ele registra de onde veio cada candidato, então quem opera audita por que um perfil apareceu.
O motor entrega quem se parece com o que já deu certo, e é por isso que o deixamos fora da escolha. A separação do casting continua artesanal, porque casting tem aposta, e aposta é o que está fora da estatística. Por isso a plataforma mede todo dia a concentração da própria vitrine. É métrica de justiça, não de desempenho: uma agência vive do elenco inteiro, e não das dez pessoas que o algoritmo aprendeu a preferir.
5 O cachê teste, com o prazo da convenção dentro
Cachê teste é o valor devido ao artista por participar de um teste, e é um drama antigo do mercado. O artista preenchia, gerava PDF, assinava e mandava para a agência a cada teste, com documento e registro profissional junto. E ninguém conseguia acompanhar se foi pago.
Pusemos o recibo dentro do sistema: ele sai preenchido e o artista assina no aplicativo, com código de seis dígitos enviado por e-mail. Já são mais de 300 cachês teste sob controle, com recibo assinado em mais da metade deles.
A parte que não tinha solução nenhuma virou um campo de data. A convenção coletiva dá 15 dias para o pagamento no autoteste, e uma rotina varre os vencidos todo dia, muda o estado e avisa o artista. Cada vencido vira um caso nominal para cobrar, em vez de um valor que ninguém sabia que estava em aberto.
Quem confirma que o cachê caiu é o artista, no aplicativo.
6 Ferramentas que a KOZMOS abre para o mercado
Fora da plataforma, uma calculadora aberta aplica os adicionais da convenção do SATED e escreve o cálculo na própria URL. O link não é atalho para a ferramenta, é a conta inteira: quem recebe abre e vê os mesmos números. Produções mandam esse link como comprovante no fechamento, e uma ferramenta da agência virou o árbitro aceito pelo outro lado da mesa.
O que entregamos apagou as funções que existiam por causa da falta de sistema: montar composite, organizar pasta, disparar mensagem uma a uma, manter planilha. Nenhuma delas era falar com artista.
Hoje o time é menor, conduz cerca de cinco vezes mais casting do que em 2021, e tem mais tempo do que tinha.
As perguntas do artista são quase sempre as mesmas. Meu material está bom? Devo fazer esse projeto? Como se faz um vídeo de apresentação que presta? Elas nunca deixaram de ser feitas. O que faltava era tempo para respondê-las direito.
Não é que a equipe não fazia. É que hoje faz bem, e responde no mesmo dia.